quarta-feira, 20 de maio de 2009

Pés descalços

No início deste ano de 2009, lá pra janeiro, eu acabava de ler o último livro do rabino Nilton Bonder; nossa, homem inteligente demais da conta.
[Já li uns 2 ou 3 livros dele antes desse último, e de todos eu recomendo A Alma Imoral e Fronteiras da Inteligência. O primeiro é até bem simples, mas o outro, nossa... o outro vai lá no fundo da alma e mexe com nossas raízes, que ficam bem doloridas...]
Mas voltando:
O título, "Tirando os sapatos", chama atenção pela simplicidade, que esconde riquíssimo significado.
[Quando o vi na livraria lembrei imediatamente de um paciente, o único até hoje, que se mostrou muito incomodado em retirar seus sapatos antes de entrar em minha sala para ser atendido, levantando duas ou três questões sobre a real "necessidade" disso.]
Voltaaando...
Entrei, comprei, li rápido. Preciosos ensinamentos eu extrai dali. De todos eles, gostaria de compartilhar alguns trechinhos que formam uma resposta perfeita àquele meu paciente!

"O que é retirar o sapato? O sapato representa o que está moldado a nosso pé, é a forma que acompanha nosso feitio, nossos calos. (...)
Habituamo-nos a determinados padrões e condutas que se tornam nosso sapato. E é com ele que caminhamos pela vida. Tal como a realidade que precisa ser vista por trás de lentes e véus, porque é abrasiva demais para a consciência humana, o sapato representa a proteção indispensável entre o ser e seu meio. Nesse processo há uma importante interação entre os pés e o sapato. Ele nos protege pela sola (...). O chão, no entanto é o pavimento da vida e ele não se ajusta à nossa pisada. (...)
O caminhante precisa de sapatos para caminhar. Mas seu objetivo é poder descalça-los no momento certo (...). Essa terra, que é a essência, a base de toda realidade, não é exatamente o que percebemos dentro de nossos sapatos. Adaptados, os sapatos nos parecem sempre mais seguros. Mas é do chão que vêm o alicerce e o embasamento."


Palavras sábias, pensamento universal, obra nutritiva que bota a gente pra pensar. Certamente o texto do Bonder não aborda os sapatos como algo material, mas simbólico. Isso não impediu que minha criatividade sem fronteiras elaborasse as seguintes perguntas ridículas:
Será que quem tem muito sapato é inseguro? ou quem tem pouco sapato é que é desavisado? Quem prefere ficar descalço tem a mente mais aberta? E quem detesta, fica como? Nossa, fecha esse bloco.

Bom, pessoal, brincadeiras à parte, cada (bom) livro que a gente lê é um caminho para engrandecimento da alma e, na minha opinião, os livros do Nilton Bonder estão nesse nível. São meio como degraus espirituais, tal a elevação de seus pensamentos, tal a forma doce e direta como se expressa. Sempre recomendo este tipo de leitura porque é importante vivenciarmos a espiritualidade no dia-a-dia como algo "palpável" e cujo desenvolvimento depende de nossas ações. É esse tipo de alimento que devemos buscar diariamente para sermos pessoas cada vez melhores. Por hoje é só!!

PS: aquele meu paciente "contestador", hoje chega no Centro de Medicina Indiana e a primeira coisa que faz é tirar os sapatos...

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Namaste...

Antigamente havia um espaço na internet organizado para atender aos alunos de todos os cursos promovidos pelo Centro de Medicina Indiana do Rio de Janeiro / Centro de Estudos Dr. Chowdhury Gullapalli. Era uma área restrita, dessas com ID e senha de entrada e outras coisas antipatiquinhas que mais separam do que juntam as pessoas... : Mas, tínhamos muuuuita coisa boa lá, discussões de casos, perguntas, atividades de aula, compartilhamento de textos interessantes... nossa... Com o tempo ele foi evoluindo, aumentando... ficando mais rico de pessoas e de assuntos. Sempre foi muito bom (suspiro)! Pessoas que estudavam em outros cursos eram muito bem-vindas, mas não tinham acesso a todo o conteúdo. Volta e meia eu recebia pedidos para "democratizar" nosso valioso espaço!!! : )

Como acredito na boa energia que as mudanças trazem, desativei o antigo espaço para começar esta nova história. Então... o blog da Stela (ou do Centro de Medicina Indiana) está agora oficialmente inaugurado, com direito a um pouco de tudo, flores, incenso e música... nesta atmosfera, poderemos nos encontrar de vez em quando por aqui, integrando as pessoas que gostam da tradição do Ayurveda, que querem aprender mais ou que simplesmente querem estar mais próximas de nós.

Sejam bem-vindos, fiquem à vontade.
Stela