quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Na hora do pânico, terapia ou filosofia?

Terapia ou filosofia? Seria o mesmo que escrever terapia VERSUS filosofia. Não é certo, não são assuntos excludentes. A intensidade com que os problemas são vivenciados e a capacidade que cada um tem de sofrer com eles são alguns dos termômetros que vão direcionar uma pessoa para o divã do analista ou para uma boa livraria. Não poderia ser os dois? Claro!!! O estudo do ser humano deveria ter sempre uma abordagem multidisciplinar, mas uma coisa é certa: um alimento de alta qualidade - como a filosofia - pode se transformar no pior veneno para quem não consegue digerir. Neste caso, associar a terapia à filosofia seria de extremo valor, funcionaria quase como um digestivo.... Mas, vamos lá, cada caso é um caso, e não se pode mesmo generalizar.

Há algum tempo o mercado, modelado pela demanda, abriu espaço pros chamados "orientadores filosóficos". Nesta onda, vieram algumas publicacões interessantes sobre o assunto, como "Mais Platão, menos prozac" e "Pergunte a Platão", ambos de Lou Marinoff, professor de filosofia do City College de Nova York.

O que faz um orientador filosófico é trazer para a vida cotidiana uma sabedoria que pode ajudar as pessoas a enfrentarem as questões da vida. Sinal dos tempos... parece que as pessoas perderam o discernimento, tem dificuldade pra lidar com mudanças ou pra conviver com pessoas que pensam de modo diferente. Essas dificuldades geram doença ou mal-estar? Ahh, depende ... se somos guiados pela razão ou pela emoção... Se fosse simples assim, grande parte de nossos problemas seriam solucionados sem muita dificuldade. Mas a vida não é nada objetiva e as interferências são muitas.

O contexto sócio econômico e os valores mudaram com o passar dos séculos, mas a essência do homem é a mesma... Ao longo de sua existência, tenta trazer significado para a vida, justifica suas escolhas, busca respostas, nem sempre fáceis de encontrar. Se pudéssemos tirar uma foto instantânea do homem do século XXI, ela mostraria um ser mais alienado, mais individualista, mais mecânico e mais passivo. A virtualidade substitui lentamente a realidade e o homem moderno está cada vez menos disponível, para si e para o outro. De alguma forma, isso tudo incomoda... Provando que a vida transcorre em ciclos, que a história se repete, uma parcela da humanidade hoje está "desmascarando" a materialidade e tenta resgatar a espiritualidade em seu cotidiano. É daí que imagino que tenham origem os desequilíbrios emocionais; muitas vezes é preciso travar uma luta, nadar contra a corrente, frustar o próximo, mudar o plano, para promover mudanças significativas na vida. É preciso coragem e persistência, mas principalmente fidelidade na crença de que o esforço é realmente necessário para o aprimoramento de cada um. Quem se habilita?

Jung disse que o excesso de racionalismo deixou o homem à mercê do submundo psíquico e que sua tradição moral e espiritual desintegrou-se. Foi nessa "encruzilhada" que o homem moderno se perdeu... apegou-se demais à experiência material e esqueceu que é um ser espiritual. O papel da filosofia nesse contexto é valioso, pois nos coloca novamente no caminho do auto-conhecimento e facilita a recuperação da vitalidade do espírito.

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Namaste...

Antigamente havia um espaço na internet organizado para atender aos alunos de todos os cursos promovidos pelo Centro de Medicina Indiana do Rio de Janeiro / Centro de Estudos Dr. Chowdhury Gullapalli. Era uma área restrita, dessas com ID e senha de entrada e outras coisas antipatiquinhas que mais separam do que juntam as pessoas... : Mas, tínhamos muuuuita coisa boa lá, discussões de casos, perguntas, atividades de aula, compartilhamento de textos interessantes... nossa... Com o tempo ele foi evoluindo, aumentando... ficando mais rico de pessoas e de assuntos. Sempre foi muito bom (suspiro)! Pessoas que estudavam em outros cursos eram muito bem-vindas, mas não tinham acesso a todo o conteúdo. Volta e meia eu recebia pedidos para "democratizar" nosso valioso espaço!!! : )

Como acredito na boa energia que as mudanças trazem, desativei o antigo espaço para começar esta nova história. Então... o blog da Stela (ou do Centro de Medicina Indiana) está agora oficialmente inaugurado, com direito a um pouco de tudo, flores, incenso e música... nesta atmosfera, poderemos nos encontrar de vez em quando por aqui, integrando as pessoas que gostam da tradição do Ayurveda, que querem aprender mais ou que simplesmente querem estar mais próximas de nós.

Sejam bem-vindos, fiquem à vontade.
Stela